10.11.10

"Desamparinho" é palavra que, no "Milagrário" de Agualusa, é a da
"hora feliz, ao final da tarde, quando o dia cede lugar à noite, o calor esmorece, e os velhos se sentam nos passeios, fruindo o fresco e as cigarras, e vendo as moças passarem sacudindo as ancas."

Desamparinho fica bem à gente.
É que a manhãsolinho há-de vir de cara macia mas luz mortiça por causa da noite triste.
Até temos vontade de guardar a luz tristelinda, desamparinho que nos demora o entardecer.

Desamparinho é palavra mimosa. Luz manselinha.

8 comentários:

Amélia disse...

E eu aqui a lembrar:
«Sedia la fremosa seu sirgo torcendo/sa voz manselinha fermoso dizentdo/cantigas de amigo...»
É palavra bonita, sim.
(teho um defeirto como leitora: o 1º livro que li do Agualusa, franvamente,, detestei(acho que foi o 1º que ele escrveu-a partir daí nunca mais li nada dele - mas se calhar tenho de corrigir esse defeito)

zef disse...

Amélia, não me tem sido “distracção inútil” ouvir bem algumas palavras que se vão desnudando neste livro. Mais isso que as histórias. Não sei se me afeiçoe ao livro todo; gostaria que fosse, já que também já tinha posto de lado Agualusa…
Aqui, as palavras vistas deste modo e também a figura de Iara…Vou-o lendo manselinho!
Hoje parei em “murmurinho” e apetece ouvir o mar…
Beijos

rendadebilros disse...

Pois eu também não apreciei o Agualusa... terei que rever o assunto um dia destes... por esta inspiração que aqui o Zef nos traz. Abraço.

zef disse...

Boa noite, Renda. Que tempo passou!
Perdão.
Gostei de alguns bocados do livro, mas, olhe, não me afeiçoei...
Um abraço.

zef disse...

Amélia, como vê, também não me prendeu, nem o livro (e bem me esforcei) nem a tal Iara (e dei-lhe muita atenção)...
Boa noite

fernanda s.m. disse...

Olhem, mais uma para o grupo que não se afeiçoou ao Agualusa, mas gostei deste remanear e desfiar, como se de uma dezena pepétua nas mãos se tratasse, que o nosso amigo Zef fezdas palavras...manselinho. Bem-haja !

fernanda s.m. disse...

perpétua, claro !!! Uma perpétua dezena nos nossos dedos...

zef disse...

Fernanda, se não for perpétua seja até que chegue o sono doce.
Doce, claro!
:)