23.3.10

Cantiga da Ama

Quando se ouvem as vozes das crianças no largo
E se ouvem os risos nos montes,
O meu coração sossega no peito
E tudo o resto se cala.

"Vá, vamos pra casa, meninos, o sol já se foi embora
E vem aí o relento,
Vamos, vamos, acabou a brincadeira, toca a recolher
Até o dia nascer."

"Não, só mais um bocadinho, ainda não está escuro
E não podemos ir dormir,
Olha, os passarinhos ainda voam no céu
E as ovelhas estão todas no monte."

"Vá, vão, vão, mas só até ficar escuro
E depois vão pra casa dormir."
As crianças saltaram & gritaram & riram
E os montes todos ecoaram.

-William Blake; Cantigas da Inocência e da Experiência - Tradução de Manuel Portela; Antígona

10 comentários:

Soledade disse...

É perfeito e sabe bem! Leia-se aqui um suspiro de consolo :-)

Amélia disse...

Perfeita adeuqação ao momento...

Anónimo disse...

Ele há sons que nos fazem felizes, não há!
ana assunção

zef disse...

Trouxe este Blake sabendo ao que vinha, Soledade, Amélia, Ana.
É também assim que
"Dos dias da infância nascem frescas lembranças",
a amenizar a subida do monte...
Beijinhos

fernanda s.m. disse...

Que suavidade, calma e felicidade. Onde irá essa infãncia.
Belo, este Blake, Zef.

Bom fim de semana.

zef disse...

Soube-me bem pôr aqui este poema, Fernanda.
Beijos

rendadebilros disse...

Lindíssimo... a falar de um paraíso... perdido? não: apetecido e recordado...
Abraços e beijos.

zef disse...

Se o tempo não for perdido, não haverá problema com o paraíso...
Olá, Renda. Espero que esteja bem.
Um abraço

Anónimo disse...

A M. por aqui ri e salta, os baloiços lá atrás têm sido baloiçados todos os dias. A G. dorme, tranquila, com o ruído do aspirador.
Gab

zef disse...

...Gab, vim confirmar. Confirmado.
(Olha que o aspirador ouve-se na aldeia toda...)