28.5.13

Redacção

As pessoas distraem-se à beira do mar a piscar os olhos quando as gaivotas passam rentes às ondas.
As gaivotas são graciosas a pairar sobre as águas e não mostram a gula que levam nos bicos.

Também há pessoas que andam pelos montes e sabem o que fazem as aves, os milhanos às voltas às voltas, os chascos a ler nos tojos, as milheirinhas a bicar as sementes.
Os passaritos sabem o que procuram, não fazem voos de espanto; volitam como os campos de trigo, serenos se o vento os penteia.
A gente olha-os de frente, à luz que não incomoda o olhar.

O mar ora é bonito ora traz à vista as furnas e cafurnas que o habitam a guerrear com os ventos de dentes arreganhados de cão furioso e as pessoas não sabem lê-lo. Ficam com sofrimento nos olhos e regressam tristes a casa.
Há sempre coisas para ajustar.

Nas cidades as casas são grandes e devem ter por dentro gente que é como os morcegos: cirandam, cirandam e não vêem os vizinhos; encheram os papos e penduram-se nas tocas, calados como baratas. As baratas são muitas, mas gostam só de sítios escuros.

O ribeiro da minha aldeia é como o céu, anda por aqui e por ali, reflecte os salgueiros e abriga os pardais. Nós olhamos para ele, os olhos riem-se e caminham pelos chãos, árvores e seus ninhos; muitas vezes param.

Na minha aldeia não há contas a ajustar. Se puderes, faz lá a tua casa.
Como diz um provérbio: que os ramos verdes morem no teu coração e sejam ninho azul.

Hoje, sentei-me no quintal.
Passa um vento benigno a pentear as margaças.
Vem dos montes, traz luzes antigas, banhos de sol.

6 comentários:

Rui Antunes disse...

Há palavras que nos despenteiam, quando abrimos as portas ao poema - ou, o que não é assim tão diverso, quando o poema nos abre a porta.
Verdadeiramente benigno, Zef, sentir calma, vento e sangue quente. É muito bom, faz muito bem
Um abraço
Rui

gabzia disse...

Hoje, sento-me na minha varanda, na tua cadeira, e está sol de calor. Já selecionei aí uns trinta textos e ainda nem cheguei a meio da romazeira. Árvore cheia de fruta, esta.

Anónimo disse...

E eu, faço minhas as palavras do comentador que me precedeu. Nestes dias que passam faz-me bem sentir a suavidade das palavras que voam. Um abraço, Zef!

alece

zef disse...

Rui, fica-se sempre contente quando alguém nos fala assim.
Um abraço

Olá, catraia miúda.
Aproveita a cadeira e vai colhendo os doces (!) fruitos.
Beijinhos

Obrigado, Alece e fique sabendo que noto a sua falta :)
(Quando vim mexer nisto, fiz qualquer coisa que apaguei o seu comentário; repu-lo, mas ficou a data de hoje.Perdão!)
Um abraço

alecerosana disse...

Deixo um abraço de amizade e gratidão :)

zef disse...

Boa noite, Alece
Abraço amigo.