10.12.08

Paul Sérusier

Se uma vez por outra escrevo é porque certas coisas não se querem separar de mim tal como eu não quero separar-me delas. No acto de escrevê-las elas penetram em mim para sempre - através da caneta e da mão - como por osmose.

Na alegria, nós movemo-nos num elemento que está todo ele fora do tempo e do real, com presença perfeitamente real.
Incandescentes, atravessamos as paredes.

Cristina Campo: Os Imperdoáveis - Assírio & Alvim - Trad.: José Colaço Barreiros

5 comentários:

soledade disse...

Sim, é isso mesmo, a escrita, este duplo movimento: para fora, limpando; e para dentro, reconstruindo e figurando. Excelente, este excerto da Cristina Campo.
E então, Zef, cá por baixo? :)
Um beijinho

fernanda s.m. disse...

Um texto muito interessante, este e que eu não conhecia. Há osmose, sem dúvida e depois, nada pode ficar na mesma. Como diz a Soledade, há também o movimento de dentro para fora, curiosa a ideia de "limpar", Soledade; eu via sentia esse movimento como catarse ou expurgar, mas é limpar, no sentido de depurar... Penso que é o sentido mais importante, no escrever, embora seja muito necessário o outro, para dentro, reconhecendo-nos.
Bela a imagem escolhida, Zef.
Beijos aos dois.

zef disse...

Soledade, Fernanda.
Quero também acreditar que é assim, como dizeis.
E há-de ser. Pelo menos, seguram-se as coisas que não queremos fora de nós, e que não querem separar-se de nós.
Beijos a ambas

zef disse...

Ando, ando, Soledade, e que tempo arranjei: chuva até aos ossos, frio, vento...
Esperamos que esteja bem.
Saudades

soledade disse...

Muito constipada (de novo! e com este tempo tremendo...), mas de resto, animada e contando os dias :)