
1.
Aurora
dedos de rosa vem ligeira pelos montes
e traz lençóis de linho limpo.
Luz esplêndida
a dos olhos da espera
Vinha pelos cedros e pelo orvalho na cidreira, erva-doce e hortelã-pimenta e lembrava-se de quem cheirava àquela resina e a boca era de hortelã fresca e de frutos deliciosos e de música dos cânticos mais bonitos
corça morena a arfar na montanha alta por ventos propícios
e adormecia ao relento até chegar a aurora do linho macio.
Um passinho mais
e morro no teu corpo
montanha suave
toquinha de raposa.
7 comentários:
Que belo ! - ressonâncias também do Cântico dos Cânticos?
Zef,
E assim me apetece ficar aqui a ler-te, levitando na beleza das tuas palavras. Delícias.
Um beijo
Uma morte para viver de novo!!!...
Abraço.
A voz da romãzeira tem um jeitinho tão seu para levar o caminho...
:) gostei, claro!
Beijos aos daí.
ana assunção
Amélia, penso que sim, e muito próximas...
Meg, e que tempo deixei passar...
Renda, é a maneira linda de morrer...
Ana, bons mestres vai tendo tido a romãzeira...
:)
Beijinhos
Visitei a tua aurora vezes sem conta. Gosto da tua aurora, envolta em lençol de linho, que, além de limpo, é macio. Extasio-me… E chega aos meus ouvidos a melodia do amor que se esparge no Mais Belo dos Cânticos, que só podia ser de amor.
E como é bom descobrir uma enseada, propiciadora de grande quietude no meio da borrasca da vida… Que também a raposa tem a sua toca.
Viva, Camilo.
Quase três anos...Obrigado pelas visitas e também por estas palavras.
Olha, a quietude precisa de bom exercício. Tenho para mim que que nos exercitámos...Há que tempos!
Um abraço
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