10.9.07

(Foto de Marco Pedrosa)


O sol fechou o dia
Sem mão nem chave;
A pouca luz que havia
Deu-a para uma ave.

Então a ave selou
Com seu sono seu ninho,
E a terra toda amou
na casa do passarinho.

Um ovo é como uma chave,
Mas só abre a vida às penas.
Apetece ser ave,
Ter as mágoas pequenas.

Vitorino Nemésio, Eu Comovido a Oeste (Vol. I - Imprensa Nacional-Casa da Moeda)

12 comentários:

Meg disse...

Caro Zef
Isto é de uma simplicidade comovente. E uma lembrança dum Ser Humano fabuloso! Saudades daqueles momentos de televisão.
Obrigada
Um abraço

Amélia disse...

Um grande poeta - que morreu no tal annus horribilis da nossa poesia: no mesmo ano, ele, Jorge de Sena e Ruy Belo.

José Gomes disse...

Zef,
Obrigado pela visita ao meu cantinho e pela partilha deste poema.
Um abraço,
José Gomes

rendadebilros disse...

É tão simplesmente belo... o poema... e a foto! Que bem que me faz, agora que ando no meio de tanta papelada... sem tempo!
Um abraço.

paulocosta disse...

Já é o segundo que roubo, ao terceiro...

Sophiamar disse...

Embora tivesse conhecimento de que Vitorino Nemésio tinha feito poesia, desconhecia este poema.
Obrigada por teres partilhado connosco este momento tão singelo e simultaneamente tão belo.
Beijinhos

rendadebilros disse...

Eu bem queria ( deitar os papéis às urtigas) mas nas Escolas agora ninguém vive sem eles e sem gordos dossiês... isso e computadores portáteis... Que gesto fez o dito homem ( como eu cada vez que o vejo na net, nem o posso encarar, não vi!)???
Então a Princesinha?

J.G. disse...

Um poeminha muito ternurento de um homem de grande sensibilidade.
Eu diria que Vitorino Nemésio, inteiro, cabe aqui nestes versos.

Lamentando a sua ausência nos meus mundos, espero que tal não se deva a motivos de falta de saúde.

Um abraço.

zef disse...

Meg, a simplicidade costuma ser difícil...Também tenho saudades daquele tempo...

Uma boa trindade, Amélia!

Obrigado também, José Gomes. Fixei o dia em que há encontros em Vermoim. Às vezes, ando por perto.

Renda, sendo assim, já fui útil...Quanto ao gesto do tal senhor em Resende, paree ser o da cruz com que nos carrega...

Fez muito bem, Paulo. A propriedade, às vezes, é um roubo...

Sophiamar, é a partilha que dá sabor ao andar por aqui.

Está tudo bem, Jorge. Ando um bocado como o boi a olhar para um palácio, mas olhe que o tenho visitado, embora sem deixar sinal.

Beijos e abraços

rendadebilros disse...

Já tive oportunidade de ver num blogue de uma pessoa que o conhece aqui da city ... no blogue http://cp-cromosdeportugal.blogspot.com/
Eu nem queria acreditar...
Bom fim de semana!!!

Meg disse...

Meu caro Zef, vinha por mais "simplicidades", mas fico-me com as anteriores, que não são de deitar fora. Pelo contrário.
Bom fim de semana.
Um abraço

zef disse...

Renda, está a ver? - Antes as beatas...
Abraço

Ora viva, Meg. Ofereço hoje uns jasmins, flor simples, mas de cheiros poderosos...
Um abraço