1.7.09

Bilhete aos filhos com as palavras de adormecer



A pétala azul soltou-se no vento
voou foi voando aos círculos aos círculos

a andorinha bicou-a

sei um ninho
e é azul


Há palavras também azuis
doidas como os sonhos.
Sorriem-nos à noite
e dormem connosco
sonhos sábios

Ao primeiro sol,
vão indo, vão indo,
olhando de lado
a dizer o caminho do mar.

Os olhos do mar são azuis.
Como eram os vossos sonhos.


10 comentários:

Amélia disse...

Pois,Zef,às vezes apetecia adoptar alguns pais...
Belo poema, amigo!

Meg disse...

Querido Zef,

Quando entro aqui é como se passasse para outra dimensão...
ler-te é um exercício de tranquilidade.
Obrigada pelos momentos.

Um abraço

rendadebilros disse...

... o azul profundidade e paz ou sonho?
Bom fim de semana.

Anónimo disse...

Zer, carissímo
Nunca nada é como nos nossos sonhos mas é bo acreditar que o azul é possível.

Beijinho, Lis

Anónimo disse...

O acento voou em caríssimo para a sílaba seguinte...não ligue. Loucuras dos dedos.

Lis

fernanda s.m. disse...

A serenidade desta eterna ternura azul comove-me.

O azul, por si só, já me acalma: com estas palavras a envolvê-lo faz com que a paternidade/maternidade adquira todo o seu sentido...
Abraço, grande.

Anónimo disse...

Os meus sonhos continuam azuis e "abauéos". Gab

zef disse...

Sim, Amélia? As palavras fazem-nos menos rabugentos?
: )
Beijos

Meg, se os amigos se sentem bem, também gosto, e acrescenta-se a tranquilidade.
Abraços

Renda, queria que fosse tudo…e, não sendo uma coisa, seja a outra!
Um abraço.

Lis, também acho: é bom acreditar que o azul é possível. E, quando se acredita em certas coisas, elas são mesmo (se até há acentos a voar...E este até parece aumentar o tamanho da palavra e dar-lhe leveza. Carissimo é assim um som que não despega...).
Beijiinhos.

Fernanda, também sou assim, de procurar a serenidade e os sentidos das coisas que nos seguram.
Grande abraço

Catraia miúda, abauéos era a maneira quase adormecida de chegar ao fim das cores do arco íris, lembro-me bem…
Beijinhos (sonhos azuis para essa coisa fofa que deve estar aí a dizer uá uá uá…)

jorge vicente disse...

e os nossos sonhos são da renda dos dedos, dos cabelos, das palavras, dos versos,

do que brota e do que cai
do que é

um grande abraço
jorge vicente

zef disse...

Obrigado, Jorge, por ter vindo e pelo que diz.
Um abraço